sábado, 26 de julho de 2014

Missão de Paz no Haiti

Para um trabalho acadêmico, fiz uma entrevista sobre a Missão de Paz no Haiti, com o Soldado Rafael Freitas. Confira!

Missão de Paz no Haiti
A Missão as Nações Unidas para a estabilização do Haiti (MINUSTAH) foi criada pelo Conselho de Segurança da ONU em abril de 2004, com o objetivo de restaurar a ordem no Haiti. Chamada também de Missão de Paz, ela é feita por diversos países, principalmente pelo Brasil, que tem o maior número de militares no país. O brasileiro Rafael Freitas, de 23 anos, residente no Rio de Janeiro-RJ, foi um dos escolhidos para a missão no Haiti. Soldado da Força Aérea Brasileira há 5 anos, ele viajou para p Haiti em janeiro de 2012 e nos conta um pouco da sua experiência no país haitiano.

Qual o objetivo da Missão de Paz? O que exatamente vocês faziam lá?
O objetivo era a estabilização do Haiti. Tínhamos força policial. Fazíamos rondas em perímetros determinados, missão de segurança de autoridades, zona de proteção de pouso, escolta de materiais, alimentos e pessoal, confronto urbano (manifestações, na maioria das vezes), recreação com crianças. Tiveram militares que realizaram partos na rua.

Como eram essas recreações com as crianças? Elas ficavam com medo de vocês?
As crianças nos adoravam. Saíamos fardados para distribuir doações de brinquedos, alimentos e água, às vezes íamos de palhaço. Juntava dezenas de crianças ao nosso redor. Elas adoravam nos abraçar.

O resto da população também aceitava vocês de forma amigável?
Não. Os mais velhos tinham certa dificuldade, falavam que estávamos roubando o país deles. Várias vezes a gente passava pela rua e a população (uma minoria) tacava pedra em nossa viatura.

As Missões acontecem só por causa do terremoto?
Não. Já estamos lá há 10 anos. O terremoto foi em 2011. A ONU entrou no Haiti por causa de uma guerra civil que o governo não conseguiu controlar. As tropas brasileiras acabaram com a guerra em mais ou menos três anos. Agora estamos lá para manter a ordem até eles andarem com as próprias pernas. Também existe o interesse político brasileiro em ficar lá até conseguir uma cadeira cativa na ONU.

Como acontece a escolha dos soldados que vão pra Missão de Paz? A Força Aérea que escolhe ou vocês se oferecem pra ir?
A cada semestre a FAB (Força Aérea Brasileira) designa uma ou duas cidades que irão compor o Contingente dela naquele semestre. No meu caso foi o Rio de Janeiro. O método de escolha primeiramente é ser voluntário e a partir daí existe a seleção, com diversos testes para selecionar os voluntários mais capacitados.

Existiu uma preparação especial para vocês viajarem para lá?
Existiu. Fizemos vários cursos ministrados pelo Exército Brasileiro, que duraram cerca de seis meses, sendo dividido em três cidades: Rio de Janeiro (RJ), Campinas (SP) e Lins (SP).

Como eram esses cursos?
No Rio fizemos o curso de adaptação das tropas da FAB ao Exército Brasileiro. Em Lins e Campinas fizemos os cursos prática operacional e o estágio prático de confronto urbano e operações.

Quantos militares foram com você?
Foram 29. Fomos divididos em 3 GC (grupamento de combate). Cada GC tinha 6 soldados, 2 cabos e 1 sargento. Tinha também um oficial comandante e um sargento sub-comandante. Fomos e voltamos juntos, mas não ficávamos juntos lá.

Vocês eram comandados pelo Exército. Existia alguma dificuldade quanto a isso?
Éramos o 4º Pelotão da Terceira Companhia do Exército lá. O comando da Missão no Haiti é feita por um general do Exército. Como ficamos seis meses antes dentro do quartel do EB, não tivemos muitas dificuldades.

Qual a primeira impressão que você teve ao chegar lá?
Miséria. Um choque de cultura, um povo necessitado, com fome, sede, um povo esquecido pelo governo. Um povo que já sofreu de tudo, que faz a gente repensar em como reclamamos “de barriga cheia”. Porém, um povo que mesmo com todas as dificuldades te recebe com um sorriso no rosto e um abraço especial.

Qual era a situação do país?
A situação do país era de total destruição, tendo em vista que além da miséria de séculos, no ano anterior, havia sofrido um terremoto que destruiu a capital, Porto Príncipe (parte mais populosa do país), e matado centenas de milhares de pessoas. Podíamos ver o lixo, esgoto, tudo a céu aberto, água sem tratamento. A população vivendo com 90% da sua totalidade em “IDP’s”, que são grandes bairros de barracos feitos de lona e madeira.

Como é a vida dos moradores lá? Como sobrevivem?
Um haitiano acho que vive com 5 dólares ao mês, não sei exatamente. A moeda deles é mega desvalorizada. Eles vivem de diversas coisas, uns tem empregos, outros plantam, outros fazem bicos, e eles vivem muito de troca. Eu tenho uma maçã e você uma água, vamos trocar? Um haitiano faz em média 5 refeições na semana. Ou seja, tem dia que eles não comem.

Qual foi a sensação de sair do Brasil, do conforto do lar, da família, e ir para um país totalmente desconhecido?
Difícil. No embarque eu chorava muito. Mas a vontade de ajudar aquele povo e a sensação de um sonho realizado foi maior.

Teve alguma situação que aconteceu e te marcou de forma especial?
Graças a Deus não tivemos muitos sustos. Coisas rotineiras e previstas. Algo que me marcou foi numa manifestação, que estávamos tentando controlar e a população começou a cantar o Hino Nacional do Haiti vibrantemente e eu fiquei a pensar. O povo é miserável e analfabeto, mas o amor deles pela pátria é algo que me deixou arrepiado.

Qual o benefício para o Brasil em participar das missões?
Reconhecimento da ONU. O trabalho que está sendo feito lá é muito bom, e esse reconhecimento pode nos dar uma cadeira cativa na ONU.

Sua tropa tinha contato com os militares de outros países? Como era?
Sim. Não tínhamos contato direto, mas em alguns eventos comuns as tropas tinham contato. Era bem amigável, a dificuldade era a comunicação.

Quais os países que você lembra que tinham militares lá?
Pergunta covarde (risos). Vamos lá: Nepal, EUA, Colômbia, Argentina, França, Itália, Cuba, Uruguai, China, Japão, Canadá. Alguns desses países tinham somente um militar lá.

Independente do país que o militar era, todos tinham a mesma aceitação por parte dos haitianos?
Quem mais recebia carinho eram os brasileiros, porque 80% do contingente militar no Haiti é do Brasil, então a gente tinha mais contato com a população. Muitos países mandavam apenas médicos ou apoio logístico, ou apenas para trabalhar no Estado Maior da ONU, então eles quase não iam para a rua.

Você acredita que o Haiti já tem condições de estabelecer sua independência?
Acredito que sim. Os países lá estão como força policial porque a polícia de lá ainda é pouca e despreparada, mas já vem sendo montada uma boa estrutura política lá.

Vocês recebem alguma recompensa quando voltam?
Além do nosso salário que ganhamos normalmente aqui, lá ganhamos salários em dólar, e ao irmos e voltarmos, ganhamos um salário extra em dólar.

Você ficou 8 meses lá. Todos os brasileiros que vão ficam esse mesmo tempo? Pode ficar mais do que oito meses?
A missão pode durar de 6 a 8 meses. Somente em casos de extrema necessidade o militar fica mais tempo, porém não pode passar de um ano.


Em que essa experiência de ir para a Missão de Paz mudou sua vida?
Aprendi a parar de “reclamar de barriga cheia” e pensar mais nos outros, principalmente nos necessitados.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Entrevista exclusiva com o zagueiro Alef



O Campeonato Catarinense está chegando e com ele, várias expectativas.

O Avaí faz seu primeiro jogo amanhã, dia 20, contra o Atlético-IB, às 17h, na Ressacada. A equipe do Sul da ilha vai em busca de manter seu posto de mais vezes Campeão Catarinense – levantou a taça 16 vezes.

Após perder alguns de seus principais jogadores, o leão da ilha fez boas contratações e vem para o Catarinense com um elenco razoavelmente bom. As contratações foram os volantes Eduardo Costa e Ricardinho, o lateral esquerdo Paulinho, os zagueiros Pablo e Alex Lima, os atacantes Rodriguinho e Danilo, e a principal: a volta do grande ídolo Marquinhos.

Outro destaque foi que, após a eliminação na Copinha, os zagueiros Alef e Luiz Matheus e os atacantes Tauã e Jhonny Dias foram promovidos para a equipe principal, já treinaram com o elenco e estão à disposição do técnico Sérgio Soares para o início do Campeonato Catarinense. Lembrando que eles já tiveram atuações no elenco profissional em 2012.

Para falar um pouco sobre o Catarinense 2013, conversei com o zagueiro Alef.

Após a eliminação na Copinha, você foi um dos promovidos para o profissional para disputar o Estadual. Apesar de já ter jogado algumas partidas com a equipe principal em 2012, o que representa pra você estar sendo relacionado para o Campeonato Catarinense? O não favoritismo considerado por alguns jornalistas pode ajudar o Avaí?

“Significa que estou fazendo um bom trabalho e que é apenas o começo. Não ser favorito pode ser bom, mas Avaí é Avaí, é time grande.”

Sabendo que o Avaí é o clube mais vezes Campeão Catarinense e que a torcida deseja manter essa posição, qual é a responsabilidade? Acrescenta peso nisso ou isso é só um detalhe?

“Pesa um pouco e vamos fazer de tudo para continuarmos nessa posição.”

O Avaí já está pronto para o Campeonato e hoje ocorreu o último treino, que teve um clima bem descontraído. Após o treino, eles participaram da apresentação do elenco e dos uniformes para a temporada de 2013, na Ressacada, diante de parte da torcida (mais de mil torcedores estiveram presentes), que ainda segue sem saber se assistirá as duas primeiras rodadas do Catarinense devido a decisão da Federação Catarinense de Futebol em impedir a entrada da torcida nos estádios.

Só resta ao torcedor esperar e torcer!

Vai pra cima deles leão!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Entrevista exclusiva com Juninho, goleiro do Sub-17 do Vasco


Apaixonado e grato ao Vasco pelo grande atleta que é hoje, Juninho fala um pouco sobre sua carreira. Com apenas 16 anos, Juninho já é destaque entre os goleiros e já teve até convocações pra Seleção Brasileira.

O goleiro da equipe sub-17 renovou seu vínculo com o clube após a chegada de Mauro Galvão as categorias de base do Vasco e tem contrato até 2015.

Como e quando você começou a jogar futebol?

“Comecei a jogar bola quando eu ainda tinha 6 anos, no Macaé Esporte. Estavam falando pra mim que tinha um time que disputava o Campeonato Estadual e que estava sendo formado ainda, fui lá, aproveitei e comecei jogando futsal. Com 10 anos fui para o campo e com 11 vim para o Vasco.”

Como foi o começo? Teve muitas dificuldades? Quais?

“No começo eu tive muitas dificuldades, pois comecei logo depois que meu pai separou da minha mãe, eu ainda estava reformulando a minha vida quando veio essa oportunidade. No começo foi muito difícil, ninguém acreditava ou achava que eu chegaria em algum lugar, todos sempre me criticaram e diziam que eu não iria conseguir nada, e acho que isso é o que me dá mais força para lutar a cada dia mais e ir em busca do meu sonho.”

A partir do momento em que você chegou no Vasco, qual foi sua maior dificuldade?

“A minha maior dificuldade foi me adaptar, porque a minha casa é formada por 4 mulheres e apenas eu e meu sobrinho de homem, então eu sempre fui muito filhinho de mamãe (risos)! Mas depois eu fui aprendendo a me virar sozinho, e pra realizar o meu sonho eu abri mão de tudo, abri mão dos meus amigos, da minha família, daqueles que realmente queriam o me bem, mas mesmo assim eu estou levando, as vezes tristes, as vezes alegre e as vezes na solidão, mas a vontade de realizar o meu sonho e tão grande que supera todos os sofrimentos, e agora a minha família ganhou má nova integrante, a minha namorada Verônica, que agora já faz parte da família e se torna a quinta mulher pra me mimar, dessa vez agora depois de grande.”

Qual foi a coisa mais importante que já aconteceu na sua carreira até hoje?

“Foram as minhas convocações para a seleção. Foram umas das melhores coisas e uma das melhores sensações, a minha vinda pelo Vasco, os meus títulos conquistados, todas as coisas que eu conquistei e fiz por onde, isso me faz ver que tudo se junta em um ponto e vira a coisa mais especial da minha carreira.”

O que representou pra você essas convocações? Como é saber que o seu talento já é reconhecido a nível nacional?

“Não tem coisa melhor do que ser convocado e representar o seu país. Você fica muito mais visto, você tem um respeito maior por onde vai e ganha amizades que são muito importante. Hoje na apresentação de times, revi muitos amigos de Seleção, você vê pessoas te olhando e falando o se nome sem mesmo você conhecer, isso realmente não tem preço.”

Tem algum goleiro em quem você se espelha? Quem?

“Eu sempre admirei o Alessandro. Um dia eu tive um treinador que foi dele também na base, as pessoas falavam para ele ou os jogadores fazerem o pênalti, porque sabia que ele iria pegar. Sempre que vou treinar no profissional ele é o que mais me dar força e me auxilia, então é uma pessoa que eu tenho como exemplo não só pela história dele, mas também pela simplicidade e humildade dele, e hoje eu carrego um presente dado por ele, uma luva que eu irei joga o Campeonato. Ele é um espelho e daqui a pouco vai se firmar de vez no gol do Vasco e nos dar muita alegria.”

Como é saber que a próxima etapa da tua carreira é subir pro profissional e saber que agora é a hora decisiva pra mostrar seu talento e provar que você tem potencial?

“Passa milhões de coisas em sua cabeça. Milhões de histórias de infância, passa todos os seus sonhos, tudo que você quer pra você, mesmo pensando nisso tudo, você só vai ter 90 minutos e ainda tem que ficar tranqüilo. O que mais te motiva é saber que você pode mudar totalmente a vida da sua família.”

Qual é a expectativa de, futuramente, quando estiver no profissional, ser treinado pelo ídolo vascaíno Carlos Germano?

“Já tive experiências treinando com ele, e ele sempre esta conversando comigo , me dando conselhos e sempre me ajudando, tanto ele quanto o Alessandro, mas acho que no dia que ficar lá de vez, não vai ter palavras para descrever tamanha a emoção.”

Como você avalia o ano que passou, 2012?

“Avalio pra mim como um ano de muito ganho de sabedoria, paciência, experiência e todas as outras coisas, por mais que não tenha aparecido muito e também não ter jogado, aprendi e evolui muito nesse ano de 2012.”

O que você espera para 2013? Tem alguma meta especial?

“Em 2013 eu quero só reconstruir a minha vida profissional, voltar para a Seleção, voltar a treinar com o profissional, evoluir bastante e claro, ganhar títulos.”

Qual a importância do Vasco pra você hoje? O que o Vasco representa em sua vida?

“O Vasco pra mim representa muito mais do que um time, representa uma família, o meu lar. A importância que oVasco tem desde que eu chegue aqui é totalmente outra. Daqui a uns anos eu vou poder me lembrar que eu o Vascofez parte da minha criação, o Vasco abriu as portas para mim e esta me lapidando para que no futuro eu possa dar muitas alegrias pros torcedores! O Vasco é minha vida, minha história, meu primeiro amigo!”

Para finalizar, o que você pode falar sobre a torcida do Vasco?

“Não tenho palavras para eles, estão sempre me apoiando, me mandando mensagens pelo Facebook, postando fotos minhas, me dando uma moral incrível. Só tenho a agradecer e dizer que em breve vou poder estar retribuindo tudo isso.”

Agradeço ao Juninho pela entrevista e desejo sucesso em sua carreira.

Saudações Vascaínas
Laís Eger
@laiseger

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Um sonho debaixo das traves


O mundo do futebol encanta a muitos. Jogadores, torcedores, admiradores e, sonhadores. Pequenos sonhadores.

Ser um jogador famoso, ter um alto salário, vestir a camisa 10, ser o artilheiro do campeonato, ver o estádio cheio e ouvir a torcida gritando seu nome. O sonho de muitos pequenos. Como diz na música Partida de Futebol, do Skank, “quem não sonhou em ser um jogador de futebol?”.

E para realizar esse sonho, precisa ter persistência e força de vontade, pois não é nada fácil. Muitas vezes são necessários vários testes, em vários clubes. Além disso, muitas vezes é preciso ficar longe da família e dos amigos, ir para um lugar totalmente diferente, só para buscar realizar esse sonho e se tornar jogador de um bom clube e poder seguir a carreira profissionalmente.

Com 11 anos, Gustavo Gomes é um dos tantos garotos com esse sonho. Porém, ele não quer ser artilheiro e nem vestir a 10. Seu objetivo é outro: usar luvas e ficar embaixo das traves, fazendo tudo que estiver ao seu alcance para que o adversário não balance as redes. O menino de Macaé se espelha em seu tio, Juninho, goleiro da base do Vasco, que precisou ser perseverante e pedir forças a Deus para não desistir, pois o começo não foi nada fácil, tendo que ouvir inúmeras vezes que jamais conseguiria.

 Como Juninho, Gustavo está determinado e disposto a tudo para seguir os passos do tio e realizar seu grande sonho de ser goleiro. Para isso, ele terá primeiramente que convencer sua mãe, que receosa e preocupada, pensa em um futuro “mais garantido” e deseja que ele seja engenheiro mecânico no futuro. Mas determinado, ele já disputa campeonatos de futsal e futebol em Macaé e está em busca de um clube onde ele possa dar seus primeiros passos como jogador. O tio, claro, dá o maior apoio ao garoto:

 Acho que não tenho palavras o suficiente para descrever tanto orgulho e emoção, o Gugu (como é chamado) pra mim é como se fosse o meu filhote, a melhor coisa que tem quando eu chego em casa é escutar ele falando que quando crescer vai ser igual a mim. Ele com certeza será o meu maior orgulho, e ele pode ter certeza que vai ter sempre o meu apoio e que vai trabalhar com os melhores profissionais para ele ser muito melhor e muito superior a mim.”

Gustavo é mais um dos milhares de meninos com esse sonho, que pra ser realizado precisa de muito esforço e coragem. É mais um com o desejo de se tornar um craque no futuro. E o segredo pra isso é nunca desistir.

Juninho e Gustavo



domingo, 13 de janeiro de 2013

Pedrinho, mais um craque a se despedir dos gramados


“Pedrinho: Um gênio? pode ser, começou aos 6 anos no futebol de salão do CR. Vasco da Gama, teve uma carreira belíssima como jogador profissional. Esse profissional encerra uma carreira brilhante aos 35 anos, mas deixará saudades a todos os que adoram um futebol vistoso.” Temi Buarque, torcedor vascaíno.

É, o torcedor já está com saudade de seu belo futebol.

Mais uma grande estrela do Vasco se despede oficialmente das quatro linhas. Pedro Paulo de Oliveira, ou simplesmente, Pedrinho. Apesar de seus poucos 1,68 de altura, seu nome se tornou gigante pelo mundo e ficou marcado na história do Vasco, clube onde o jogador viveu grande parte de sua vida.

Ele chegou no clube com apenas seis anos de idade para jogar futsal, e junto com Felipe, o meia foi promovido para a equipe principal em 1995 e começou a se destacar no mundo da bola dois anos depois, disputando o Campeonato Carioca. Jogou ao lado de Ramon e Juninho Pernambucano e esteve presente na equipe que disputou e conquistou a Libertadores no ano seguinte, aliás, foi peça importante para a conquista do título, pois foram seus dois gols diante do Grêmio que classificaram o Vasco nas quartas-de-finais.

Durante a carreira, sua melhor fase foi com a camisa cruzmaltina, clube que o revelou e onde ele disputou 65 partidas. Sua carreira foi marcada por muitas lesões, que o tiravam de campo por meses e acabaram sendo um dos motivos de sua aposentadoria dos gramados. Apesar disso, Pedrinho conquistou sete títulos em sua carreira, sendo cinco deles pelo Vasco: Libertadores em 1998, Brasileiros de 1997 e 2000, Copa Mercosul em 2000, Torneio Rio-São Paulo em 1999 e o Carioca de 1998.

Hoje, 13 de janeiro de 2013, Pedrinho faz oficialmente sua última partida. Pela última vez a torcida vascaína terá o prazer de ver esse craque da bola jogar, e com certeza, seu futebol deixará saudade, mas não será esquecido jamais. Nem seu futebol e nem suas provas de amor ao clube, pois ele é aquele jogador que vestiu a camisa com amor e foi um dos torcedores que mais sofreu com o rebaixamento, chorando compulsivamente e inconsolavelmente ao término da partida entre Vasco x Vitória. Craque em campo e um exemplo como torcedor e pessoa fora dos gramados.

Pedrinho, obrigado por ter feito parte da história do Gigante da Colina!

Saudações Vascaínas
Laís Eger
@laiseger

domingo, 25 de novembro de 2012

Gandula, perto do espetáculo, longe de ser foco


Eles na maioria das vezes são esquecidos por nós, apaixonados por futebol. Sempre ligados na partida, eles ajudam a manter a agilidade do jogo, fazendo com que a bola volte rapidamente para dentro das quatro linhas quando ela insiste em sair. Podem ajudar a decidir o resultado de uma partida, dependendo da forma como trabalham. Afinal, quem não se lembra da gandula do Botafogo e sua reposição relâmpago, que foi com certeza o primeiro passo para o gol do clube alvinegro contra o Vasco, time que deu origem a esse tão importante participante dos jogos de futebol: o gandula.

O termo gandula surgiu em 1939, em homenagem a Bernardo Gandulla, atacante argentino contratado pelo Vasco. Não adaptado ao futebol, ele buscou ajudar nas partidas de outra forma: buscando as bolas que saiam do gramado. E o nome de gandula permanece até hoje e com a mesma função.

O supervisor de gandulas do Club de Regatas Vasco da Gama, Professor Temi Buarque, que trabalha no clube desde 1978, responde algumas perguntas sobre a profissão. Confira:

Como é a preparação dos gandulas e como são selecionados? Existe alguma preparação física?
“Primeiramente, a pessoa, para fazer parte dos gandulas, tem que ser vascaíno (a). Depois fazemos uma preleção 30 minutos antes dos jogos. Em uma conversa, passamos que o gandula deve jogar junto com o time, e são orientados para trabalhar de forma que não passe para a arbitragem que estão favorecendo o Vasco, e os gandulas do Vasco tem habilidade nisso. Por exemplo, quando o Vasco estar perdendo e o goleiro adversário esta fazendo cera , o gandula é orientado pular a placa e dar um tapa na bola pra dentro da pequena área pra adiantar o jogo.  Quando a preparação física, não existe nenhuma preparação. Para ser cadastrada, a pessoa precisa ter entre 18 e 35 anos e já ter um porte físico adequado, pois gandulas tem muito desgaste físico. Esse ano abrimos vagas para moças gandularem  e elas ficam sempre atrás do gol.”

Os gandulas recebem algum tipo de remuneração?
“Sim, recebem 40,00 reais por partida.”

São quantos gandulas por jogo? Existe um número máximo ou é opcional?
“Se o jogo for da Sulamericana ou da Libertadores, são 10 gandulas, ficando 3 em cada lateral e 2 atrás do gol. Se for um jogo em que o resultado não é tão importante, ai são 8, 2 em cada setor. Os gandulas que ficam atrás do gol também são responsáveis por recolher as bandeirinhas de escanteio no final da partida.”

Existe muita procura por parte dos torcedores para trabalhar como gandula?
Sim, muita. No Vasco, tenho 113 pessoas cadastradas.

Qualquer pessoa pode ser gandula?  O que uma pessoa que quer se tornar gandula precisa fazer?
“Não, não é qualquer pessoa. A maioria das pessoas entra em contato comigo nos jogos ou então os próprios gandulas as apresentam para mim.”

Gandulas do Vasco. (Foto: Arquivo Pessoal: Danielle Torres)

Entrevistamos também a Danielle Torres, de 23 anos, gandula do Vasco da Gama há 4 meses. Estudante de Nutrição, Danielle nasceu em Petrópolis e foi criada em Xerém. Filha de tricolor, ela já nasceu predestinada a ser vascaína, pois seu amor pelo Gigante da Colina não foi influenciado por ninguém, ou melhor, ninguém além de Pedrinho, Juninho e Edmundo. Seu avô é que a presenteava com objetos do Vasco. Casada com um vascaíno (que conheceu em São Januário, em dia de estádio lotado), a festa foi toda vascaína, com direito a bandeiras, doces e bem casados do time. Apaixonada pela linda história do seu clube amado, sempre cita com muito orgulho: ‘’Que honra ser, saiba eu sou vascaína, muito prazer. Jamais terás a Cruz este é o meu batismo!”

O que te levou a querer ser gandula? Qual é a "graça" da profissão?
 "A sensação de estar ainda mais próxima do seu time do coração. De poder 'jogar' com eles. O prazer de estar ajudando ainda mais de alguma forma."

É fácil ser gandula? O que é mais difícil?
 "Não é um bicho de sete cabeças, porém é uma responsabilidade grande. É só ficar ligada no jogo! O mais difícil é se conter como torcedor (risos). A vontade de torcer, gritar, vibrar é ainda maior dentro de campo, mas temos que manter a postura!"

Não dá pra comemorar nem em caso de gol?
 "Podemos comemorar sim, mas não como a arquibancada comemora! Dá pra dar um sorriso, esboçar alegria. Mas não podemos pular, gritar ou coisas desse tipo, que chamem atenção."

E como você faz pra controlar a euforia nos gols, a alegria?
"É difícil! Mas eu foco no jogador, na comemoração! O sorriso é incontrolável, mas dá pra se sentir feliz, vendo a comemoração deles! Acho mais difícil controlar o desespero do gol que não sai!"

E o trabalho do gandula. Tem alguma outra função além de repor as bolas?
 "O trabalho em si é esse. Cada posição tem as suas ordens (gandular na lateral é diferente de gandular atrás dos gols), devemos 'dar conta' das bolas antes e após o jogo, assim como das bandeiras de escanteio. É basicamente isso!"

Teoricamente vocês não podem ter contato com os jogadores, na prática funciona ou tem como dar uma "escapadinha" da regra e ter algum contato com os jogadores?
 "Nós não podemos assediar pedir camisa e tira foto. Mas não somos proibidos de falar com eles. Os jogadores mesmo cumprimentam a gente. Alguns nos reconhecem, brincam. Dá pra ter um contato, com moderação."

Se fizer uma reposição errada, o que acontece?
"Com relação à partida, podemos ser advertidos pelo arbitro ou auxiliares. No Clube, podemos levar suspensão de jogos, ou ate sermos afastados da função."

O que, por exemplo, poderia causar um "problema" com o STJD que pudesse resultar em alguma punição?
 "Geralmente quando há reposição de bola rápida somente para o time mandante, ou quando fazemos ''cera''. Mas primeiramente o arbitro adverte o gandula, que é orientado pelo coordenador a trocar de posição com outro, somente se ainda assim o gandula descumprir alguma ordem, poder ser chamado ao STJD."

E sobre a valorização dessa profissão. Você acha que os gandulas são pouco valorizados?
 "Bem, lá no Vasco não! Somos tratados bem e valorizados lá dentro, se disponham a ouvir nossas idéias, realizar reuniões. O Vasco ajuda na valorização da profissão, nos dando todo apoio e ajuda necessária. Acho que fora de lá, a profissão também está crescendo, mostrando sua importância! Nós já podemos até ser julgados no STJD, isso é um progresso (risos)!"

Você consegue imaginar um jogo sem gandulas?
 "Conseguir, eu consigo. Pois alguns jogos de base não tem gandulas, porém com certeza prejudicaria o jogo em si. Tanto para os jogadores, e até para o árbitro. Não teríamos reposição de bola rápida, que prejudicaria no tempo final do jogo. Os jogadores se cansariam mais, na tentativa de repor a bola mais rapidamente. As vezes uma reposição de bola bem feita, pode decidir uma jogada."
  
Que dica você dá pra quem quer se tornar gandula?
 "Primeiramente, que a pessoa tenha vontade de estar ali, pois é um trabalho importante dentro do jogo. Faça com carinho, dedicação. Sempre com o intuito de ajudar o Clube (justamente por isso o primeiro dever do gandula é ser torcedor do Vasco). A pessoa deve ter entendimento das regras futebolísticas e ter um bom condicionamento físico, fora isso, é só ter boa vontade e querer mesmo!"

Danielle e Prof. Temi, supervisor dos gandulas. (Foto: Arquivo Pessoal: Danielle Torres)

Saudações Vascaínas,
Laís Eger
@laiseger







quarta-feira, 18 de julho de 2012

Hora das máscaras caírem

Não costumo postar matérias que não são minhas no blog, mas meu amigo Flávio Frotté escreveu um texto muito bom no Facebook, e resolvi publicá-lo aqui. Espero que gostem como eu gostei.


Botafogo se reforçando muito bem pro campeonato brasileiro. Com Oswaldo de Oliveira (que é um excelente técnico), Lodeiro, Seedorf, Rafael Marques, além das peças que possui, é um dos principais clubes que vão entrar na briga pelo título.


Isso tudo é fruto de um trabalho de uma DIRETORIA COMPETENTE, que trabalha em prol do clube, que sabe criar um programa de sócios adequado, que consegue investidores pra captação de bons jogadores, e que aposta em JOGADORES DE QUALIDADE! 



Muito diferente do que se vê em São Januário. Lá existe uma diretoria composta por pessoas INCOMPETENTES, que não sabem buscar parceiros para fortalecer sua equipe, que vive com problemas no programa de sócios, onde possui como diretor de futebol uma pessoa que NÃO POSSUI qualquer preparo para assumir tal função. 
Isso tudo é fruto de uma INCOMPETÊNCIA GENERALIZADA! Uma diretoria que, mesmo com o clube jogando o principal campeonato das Américas (Copa Libertadores), demorou mais de 07 meses pra conseguir patrocínios. 
Uma Diretoria que prefere apostar em jogadores desconhecidos, ao invés de se buscar jogadores de peso para fortalecer a equipe. Pior ainda, deixando de dar preferência a própria BASE que coordena (ou seja, não acredita no próprio trabalho que faz)!



Enquanto o Vasco estiver nas mãos de pessoas despreparadas, continuaremos amargando com promessas não cumpridas, vendo a equipe sendo comandada por um técnico mais perdido do que cego em tiroteiro. 



Quando Roberto DInamite surgiu como opção para livrar o Vasco de uma pessoa chamada Eurico Miranda, eu apoiei imensamente, poi tinha a esperança de ver o Vasco fortalecido novamente! Puro engano! 



Hoje, eu vejo que o Vasco não merece ter Eurico Miranda como seu gestor. Mas também não merece Roberto Dinamite como presidente. 



É por isso que eu digo com o coração aberto: FORA DINAMITE!!!



Quero ver o Vasco fortalecido novamente! 
Quero ver o Remo e os demais esportes com recursos para poder atuar de forma digna em todos os campeonatos!
Quero ver a Base do Vasco fortalecida, dando valores a prata da casa, onde o Vasco revelou talento por muitos anos!
Quero um Departamento de futebol competente, que saiba formar um grupo forte e que saiba valorizar o próprio elenco, com uma mescla de atletas formados pela base, com outros atletas dignos de usar o manto cruzmaltino!
Quero ver o Vasco novamente com sua marca fortalecida, conseguindo captar patrocínios no seu tempo devido, sem penar pra conseguir a liberação de suas verbas na justiça (e mesmo assim vendo parte delas penhoradas)!



QUERO MEU VASCO DE VOLTA!



EURICO/DINAMITE NUNCA MAIS!!!



QUEREMOS VASCAÍNOS DE VERDADE NO VASCO!

Créditos: Flávio Frotté

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Detalhes de Figueirense x Vasco

O Figueirense recebeu o Vasco ontem, no Orlando Scarpelli, pela oitava rodada do Campeonato Brasileiro.
No primeiro tempo, a equipe do Vasco entrou bem na partida. Conseguindo um bom entrosamento, o Vasco se manteve sempre tentando atacar e sabendo não dar espaço para que o Figueirense pudesse criar alguma jogada de perigo. Apesar do bom primeiro tempo, o Vasco não conseguiu nada de excepcional. As bolas quase não chegavam com qualidade no ataque, o que dificultava a vida de Diego Souza e Alecsandro, que não tinham muito o que fazer, aliás, o Alecsandro jogou? Sinceramente, eu não vi, vi só aquele Alecone em campo. Diego Souza não pode contribuir muito, mas tentou e fez o único gol da equipe carioca e o último com a camisa do Vasco - sim, ele vai sair, se alguém ainda tem alguma esperança, esqueçam.

No segundo tempo, o Figueirense pareceu ter entrado em campo decidido a tirar os 3 pontos do Vasco, e só não conseguiu por incompetência própria. O time catarinense se deparou com um Vasco perdido, que parecia nem saber o que fazer dentro de campo. Foi ai que o jogo mudou e o Vasco se deixou dominar. Em um lance bobo, o Figueirense conseguiu um pênalti a seu favor quando Dedé toca com a mão na bola dentro da área. Porém, foi nesse momento que a incompetência falou mais alto. Pênalti cobrado e defendido por Fernando Prass, que por sinal, fez uma bonita defesa, fazendo a bola bater na trave antes de sair. A torcida do Vasco comemorou temporariamente, pois o gol do Figueirense era questão de tempo, e não demorou. Em uma falha de Willian Matheus, Roni não desperdiça a oportunidade e empata para o time catarinense.
A chance que o Vasco tinha de fazer o segundo gol aconteceu quando a bola bateu na mão de um jogador alvinegro DENTRO DA ÁREA e o juiz não marcou o pênalti claríssimo, que até eu, que estava do outro lado do estádio vi. O Vasco então pareceu se recuperar um pouquinho e tentou mais alguns chutes a gol até o final do jogo, porém nenhuma finalização com sucesso e a partida acabou 1x1 mesmo, resultado que fez o Vasco cair para a 3ª colocação no campeonato.

Alguns detalhes sobre o jogo:
- Os 6 mil ingressos disponíveis para a torcida cruzmaltina esgotaram logo no segundo dia de vendas (primeiro lote esgotou em 4 horas).
- Os torcedores que foram ao aeroporto receber o time do Vasco, pouco viram dos jogadores. Com a chegada de Loco Abreu no mesmo voo, a torcida alvinegra tomou conta do aeroporto para receber o reforço, o que fez com que, da pista, os jogadores fossem direto para o ônibus, sem nem passar pelo saguão do aeroporto.
- No domingo, a falta de organização para a entrada da torcida do Vasco foi o ponto negativo da história toda. Sem nenhum funcionário do clube de Santa Catarina para ajudar na organização, o tumulto foi gigante e a confusão na entrada maior ainda.
- Muito criticado por grande parte da torcida, em Floripa vimos Dinamite ser aplaudido demais pela torcida, que o recebeu aos gritos de "Ah, é Dinamite".
- Mesmo com a certeza de que Diego Souza não ficará no Vasco, no final do jogo a torcida pediu que ele permanecesse, o que demonstra o imenso carinho que os vascaínos tem pelo jogador.

























Fotos da partida:

quinta-feira, 3 de maio de 2012

ARQUIVO 8: Europa ou Brasil?

Arquivo 8: Matéria falando sobre jogar na Europa ou Brasil, com entrevista dos jogadores Marcelo e Dico.


Que jogar na Europa hoje é o sonho de praticamente todo jogador de futebol isso é fato. Mas o porquê dessa preferência? A resposta é simples e indiscutível. O futebol europeu hoje é mais bem remunerado, a organização ganha bonito da organização brasileira, a estrutura dos estádios e centros de treinamento tem uma qualidade e tecnologia muito superior a nossa, a arbitragem é mais competente, os jogadores são muito mais valorizados e 90% dos jogos são verdadeiros espetáculos. Sim, nesses pontos que citei o futebol europeu é extremamente superior ao nosso, mas existe um detalhe: grande parte dos jogadores que hoje jogam na Europa, saíram aqui do Brasil. São os nossos craques.

Puxando o assunto para o lado do Vasco, vamos falar de alguns exemplos:

Philipe Coutinho: Começou na base do Vasco e hoje se encontra aonde? Na Europa. Peça importante da Inter de Milão, o garoto tem todos os motivos do mundo para querer jogar na Europa.

Alex Teixeira: Começou no Vasco e hoje joga no Shaktar Donetsk, da Ucrânia. Foi uma das revelações do Vasco e hoje faz uma imensa falta ao clube.

Alan Kardec: Começou no Vasco e hoje joga no Benfica, de Portugal. Ao lado de Alex Teixeira, Alan começou a se destacar e logo após foi vendido para onde? Europa, mais uma vez.

Esses são apenas três dos milhares de jogadores que eu poderia citar aqui. Com a ida dos nossos garotos, é o futebol brasileiro que sai perdendo. E se eles ficassem no Brasil? Com certeza a história do futebol brasileiro seria diferente e os times brasileiros seriam os melhores do mundo, inclusive o nosso Vasco, é claro! Talvez seja esse o segredo para o Vasco e os outros clubes brasileiros: manterem seus atletas aqui. Não é uma coisa fácil, eu sei, mas olhem o exemplo do Neymar, ele trocou a Europa pelo Santos.

Será que já não passou da hora da CBF acordar e perceber o quando os clubes brasileiros saem prejudicados com essa inferioridade que existe entre futebol europeu x futebol brasileiro? Pra finalizar, ai vai mais uma matéria com Marcelo e Dico, ex jogadores da base vascaína e que hoje estão lá também, na Europa.

Nome: Marcelo dos Santos Ferreira
Idade: 21 anos
Clube: Ribeirão-Portugal
Posição: Zagueiro


Existe muita diferença em jogar no Brasil e na Europa?
Marcelo: Ah, existe sim. É um tipo de jogo diferente, aqui na Europa o jogo é muito mais rápido e o esquema tático é diferente também.

O clima no Brasil e ai na Europa é bastante diferente, isso é um problema para a adaptação de alguém que sai do Brasil pra jogar ai?
Marcelo: Depende a região que você pega. Aqui em Portugal é igual o clima do sul do Brasil, mas em outros países já é mais frio. Demora um pouco pra se adaptar.

Como você falou antes, o jogo daqui e daí são diferente, quais são essas diferenças?
Marcelo: Aqui os jogadores procuram jogar mais rápido, dar 1, 2 toques na bola. Em relação ao esquema tático, aqui na Europa eles utilizam muito os pontas, chamados aqui de extremos, e a defesa joga em linha. A arbitragem deixa o jogo correr mais, não apita várias faltas que no Brasil seriam apitadas.

Os treinamentos são basicamente iguais, ou existe diferença também? É um tipo de treinamento mais “pesado” o que aqui no Brasil?
Marcelo: Ah, aqui eles utilizam muita posse de bola e campo reduzido, bastante finalização, mas não tem muita diferença no treinamento não.

E a torcida, como é? Mais ou menos "empolgados" que os brasileiros?
Marcelo: Ahhhh, torcida igual a brasileira não existe. Aqui em Portugal eles não são muito empolgados, mas não sei nos outros países né.

O futebol Europeu tem uma grande "moral" digamos assim, no mundo inteiro. O sonho de quase todos os jogadores é poder ir jogar na Europa, pois a estrutura e a remuneração são melhores. Tem alguma coisa ai em Portugal que tu não gosta no futebol, que preferia do jeito brasileiro?
Marcelo: Não, acho que não, aqui tudo é muito organizado.

Prefere jogar no Brasil ou em portugal?
Marcelo: Prefiro jogar no Brasil, por causa dos amigos e família. Mas me adaptei muito bem aqui, é parecido com o Brasil, a língua, etc. Só falta a família e os amigos mesmo.


Nome: Iderlon Silva Santana (Dico)
Idade: 20 anos
Clube: Vasco de Sines
Posição: Meia


Pra ti, o que falta no futebol brasileiro para ser valorizado como o futebol europeu?
Dico: Eu acho que falta investimento,estrutura.

Se os jogadores brasileiros, no lugar de irem para a Europa ficassem no Brasil, faria com que a qualidade do futebol aqui seria melhor?
Dico: Sim claro. Na maioria das vezes esses jogadores saem dai por que não tem muita visibilidade como aqui na Europa tem, e isso acaba fazendo com que eles venham pra cá.

Qual a principal diferença de jogar na Europa e no Brasil?
Dico: É a diferença de qualidade. Aqui os jogadores não são muito bons tecnicamente. O jogo é mais corrido, mais toque de bola e no Brasil não. No Brasil a qualidade é bem superior a daqui, os jogadores tem mais qualidades.

A adaptação ai é muito complicada?
Dico: Um pouco, devido ao jeito deles jogarem e isso dificulta um pouco no início, mas depois é tranqüilo.

Prefere jogar no Brasil ou ai na Europa?
Dico: Olha..sinceramente eu prefiro jogar aqui porque aqui é mais organizados os clubes e tem mais visibilidade.

Qual foi o principal motivo que fez você aceitar ir jogar na Europa?
Dico: O principal motivo foi a minha família, porque se hoje estou aqui é por causa deles. Sempre quis ir para um clube e ajudá-los, penso assim.
Laís Eger